A Infecção do Trato Urinário (ITU) está entre as condições infecciosas mais frequentes, especialmente em mulheres. Quando os episódios se repetem, entramos no cenário da Infecção Urinária Recorrente (IUR), que exige uma abordagem mais ampla e baseada em evidência científica.
Do ponto de vista nefrológico, a recorrência não deve ser tratada apenas com antibióticos pontuais. Ela representa a presença de fatores predisponentes que precisam ser identificados e corrigidos.
Considera-se IUR quando ocorrem três ou mais episódios em 12 meses, ou dois ou mais episódios em seis meses.
A maioria dos casos é causada pela bactéria Escherichia coli, com grande capacidade de adesão ao epitélio urinário, favorecendo reinfecções.
Entre os principais fatores estão relação sexual, alterações hormonais da pós-menopausa, uso de espermicidas, diabetes descompensado, cálculos urinários, alterações anatômicas e esvaziamento vesical inadequado.
O manejo eficaz da IUR vai além do antibiótico e inclui aumento da ingestão hídrica, micção pós-coito, revisão de métodos contraceptivos e, em casos selecionados, profilaxia antibiótica cuidadosamente indicada.
Em mulheres na pós-menopausa, a reposição de estrogênio vaginal apresenta alto nível de evidência na redução de recorrências.
Alternativas não antibióticas, como D-manose, imunoprofilaxia e probióticos específicos, têm ganhado espaço na prevenção, reduzindo a dependência de antibióticos.
A Infecção Urinária Recorrente não se resolve com soluções isoladas. Ela exige acompanhamento, personalização e ajustes ao longo do tempo.
O Programa Fluir Bem – ITU de Repetição foi desenvolvido para oferecer uma abordagem estruturada, focada em prevenção, educação e qualidade de vida, ajudando mulheres a retomarem o controle da própria rotina, com menos crises e mais segurança.
Tratar é diferente de acompanhar. Com uma estratégia baseada em ciência e continuidade, é possível interromper o ciclo da recorrência e promover cuidado duradouro.